Onde houver certeza, que eu leve a dúvida


Já amei e me amaram pra sempre. Não durou tudo isso.
Já disse que nunca mais faria e fiz repetidamente. Ainda faço.

      "SEMPRE" e "NUNCA" são advérbios perigosíssimos



Escrito por Cris às 11h49
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Incêndio na Serra do Rola Moça

Sim, sei que o momento é trágico e torço para que tudo fique logo bem, mas o fato me lembrou de um dos primeiros poemas que li:

 

A Serra do Rola-Moça

 

A Serra do Rola-Moça

Não tinha esse nome não...


Eles eram do outro lado,

Vieram na vila casar.

E atravessaram a serra,

O noivo com a noiva dele

Cada qual no seu cavalo.


Antes que chegasse a noite

Se lembraram de voltar.

Disseram adeus pra todos

E se puserem de novo

Pelos atalhos da serra

Cada qual no seu cavalo.


Os dois estavam felizes,

Na altura tudo era paz.

Pelos caminhos estreitos

Ele na frente, ela atrás.

E riam. Como eles riam!

Riam até sem razão.


A Serra do Rola-Moça

Não tinha esse nome não.


As tribos rubras da tarde

Rapidamente fugiam

E apressadas se escondiam

Lá embaixo nos socavões,

Temendo a noite que vinha.


Porém os dois continuavam

Cada qual no seu cavalo,

E riam. Como eles riam!

E os risos também casavam

Com as risadas dos cascalhos,

Que pulando levianinhos

Da vereda se soltavam,

Buscando o despenhadeiro.


Ali, Fortuna inviolável!

O casco pisara em falso.

Dão noiva e cavalo um salto

Precipitados no abismo.

Nem o baque se escutou.

Faz um silêncio de morte,

Na altura tudo era paz ...

Chicoteado o seu cavalo,

No vão do despenhadeiro

O noivo se despenhou.


E a Serra do Rola-Moça

Rola-Moça se chamou.


Mário de Andrade



Escrito por Cris às 20h35
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Escrito por Cris às 10h34
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Às vezes me sinto idiota

Às vezes me sinto enganada

Às vezes me sinto inocente

Às vezes me sinto culpada

E, geralmente, sou tudo isso ao mesmo tempo



Escrito por Cris às 18h12
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Adventure

Me encontro em frente ao castelo, mas parece que estou com a chave errada.

Aliás tenho um molho de chaves e nenhuma delas parece ser a correta.

Tenho a opção de arrombar as portas, mas não é certo. Além disso, faria barulho. Não gosto de barulho.

Poderia subir por alguma torre ou tentar pular por alguma janela, mas isso também não é certo.

O correto é entrar pela porta da frente, é mais digno.

Tenho ainda a opção de ficar parada em frente, esperando o dono do castelo vir e me convidar pra entrar.

Não sei se o castelo está vazio, de forma que esta espera pode demorar...

Enquanto não resolvo o que fazer, vou continuar tentando chave por chave desse molho que tenho em mãos.

 



Escrito por Cris às 10h45
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Cheap and Cheerful

I'm bored of cheap and cheerful
I want expensive sadness
Hospital bills, parole
Open doors to madness

I want you to be crazy 'coz you're borin' baby when you're straight
I want you to be crazy 'coz you're stupid baby when you're sane

I'm sick of social graces
Show your sharp-tipped teeth
Lose your cool in public
Dig that illegal meat

'Coz love is just a dialogue
You can't survive on ice-cream
You got the same needs as a dog

It's alright (it's alright) to be mean (to be mean)
...
The Kills



Escrito por Cris às 11h35
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The Canals Of Our City

Walls gone over the sea

But not for me

Watch now, all will end

Now all that I'm, under a tide

Now I'm, under a tide

Tall hair under it all

Much more than I once had

Over seas

 

Beirut



Escrito por Cris às 16h38
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MANUAL DE ESTILO PARA TERMINAR RELACIONAMENTOS

 

1. Meios
a) Meio digital
b) Meio físico

2. Condições
a) Condição sóbria
b) Condição de torpor moderado (ou "a cachaça entra, a verdade sai")
c) Condição de torpor elevado (ou "a cachaça entra, o choramingo sai")

3. Citações
a) Curtas (até três linhas)
b) Longas (acima de três linhas)



1. Meios

a) Meio digital
Indicado apenas para os casos em que o relacionamento é breve, casual. Deve-se considerar a importância de SEMPRE terminar um relacionamento, por mais fugaz que ele seja. Sumir é fácil, mas não é legal.
Pessoas somem, geralmente, porque querem deixar a porta entreaberta. Se não acharem algo melhor, querem ter a possibilidade de um retorno. Parece uma estratégia muito esperta, isso até acontecer de você ser a vítima.

b) Meio físico
O meio mais indicado. Nada como um bom "olho no olho" para ter a possibilidade de testar reações. É importante também nos casos em que há a necessidade de devolver roupas, livros, cd´s (e pegar de volta os seus pertences, claro).
Sim, é possível que você tenha se apegado forte àquele livro, mas ELE NÃO É SEU. Devolva!

2. Condições

a) Condição sóbria
Pra quem já tem discurso pronto e nenhuma mágoa a acrescentar, a sobriedade é irmã da objetividade. Mãos à obra.

b) Condição de torpor moderado (ou "a cachaça entra, a verdade sai")
Indicada para a maioria dos casos. Nada como estar relaxado para dizer o que você sempre quis (e ouvir o que talvez nem esteja preparado). A verdade é dura, a realidade cruel, mas é possível amenizar o impacto (veja: não se impede o impacto, se amortiza)

c) Condição de torpor elevado (ou "a cachaça entra, o choramingo sai")
Contra-indicada. Você vai terminar um relacionamento e pode acabar tendo que receber ajuda do(a) futuro(a) ex para vomitar, se lavar e ir dormir. Além disso, não adianta falar o que quer, ouvir o que não quer, se não se vai lembrar de quase nada no dia seguinte. Fora o vexame... Péssimo, muito péssimo.

3) Citações

a) Curtas (até três linhas)
Prolixidade só alonga o inalongável. Porém, evite sempre:

"O problema sou eu, não você"
Sejamos honestos, o problema sou eu e é você. Todos nos tornamos problema mais dia, menos dia.

"Não quero um relacionamento sério"
Prefira: "Não quero um relacionamento sério com você"
Sim, quem hoje não quer absolutamente nada, amanhã quererá com toda a força. Mas não com você.

"Sou muito grato a você"
Você está terminando, não está redigindo o discurso de colação de grau! Pessoas não precisam exatamente de gratidão, precisam de respeito (e reciprocidade se possível for). G
ratidão não é melhor sentimento para se expressar neste momento. Gratidão se demonstra no meio do caminho, não no final.

"Preciso de um tempo"
Muito vago e é uma inverdade. Tem vários significados e nenhum ao mesmo tempo. O tempo nada mais é uma sucessão de dias, com 24 horas cada. Assim definiu o homem, assim permanecerá até que a Ciência prove o contrário.

"Você vai achar alguém melhor"
Redundante. Claro que vamos achar melhores e piores. Assim é a vida. Chover no molhado nunca confortou ninguém no momento da dor.

b) Longas (acima de três linhas)
Não, não precisa de recuo de 4cm, fonte 10 e espaço simples. Precisa é revisar o texto e cortar partes que têm pouca ou nenhuma relevância ao tema.

 

Adendo auto-ajuda:

Lembre-se sempre: a vida é luta. Haverá dias em que você estará derrotado, na lona, com um filho de mãe puta contando até dez na sua orelha enquanto você simplesmente não consegue se levantar.

Em outros, você estará em pé, braços erguidos, gritando Adrian, cheio de felicidade e pronto para receber o cinturão.

Algo como boxe, só que com pontos corridos numa tabela maluca que dura a vida inteira.

 

"Não importa o quanto você bate, mas sim o quanto aguenta apanhar e continuar. O quanto pode suportar e seguir em frente. É assim que se ganha"
Rocky Balboa



Escrito por Cris às 11h24
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"Por que há tão poucas pessoas interessantes? Em milhões, por que não há algumas? Devemos continuar a viver com esta espécie insípida e tediosa? Parece que seu único ato é a Violência. São bons nisso. Realmente florescem. Flores de merda, emporcalhando nossas chances. O problema é que tenho que continuar a me relacionar com eles. Isto é, se eu quiser que as luzes continuem acesas, se eu quiser consertar esse computador, se eu quiser dar a descarga na privada, comprar um pneu novo, arrancar um dente ou abrir a minha barriga, tenho que continuar a me relacionar. Preciso dos desgraçados para as menores necessidades, mesmo que eles mesmos me causem horror. E horror é uma gentileza."

Bukowski (ele é o cara)



Escrito por Cris às 23h31
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Eu não sei o que fazer com isso.
É um sentimento horrível, eu sei, mas ele veio parar aqui e não sei o que fazer.
Na verdade, eu sei. É, talvez eu não queira fazer nada.
Quando eu deito, as palavras vêm e me assaltam. Me sinto humilhada como num assalto. O dia todo para elas aparecerem e logo à noite elas chegam. Chegam todas juntas, querendo se misturar, me ensurdecendo, me enlouquecendo.
Eu fecho os olhos, forço o sono. O sono parece também estar contra mim. Ele cede às palavras. É um fraco, isso sim.
Durante o dia é um flutuar, um boiar. Como merda. Você olha para o lado e tem uma merda boiando ao seu lado. É um mar de merda em que estamos boiando. Depois de um certo tempo boiando assim não dá nem pra dizer que essa merda cheira. Não cheira, nem fede.
Mas eu estou desviando do assunto. Sempre desvio. Eu vejo um assunto passando, vou lá, me intrometo e volto. Não é preciso se aprofundar. Poucas pessoas querem se aprofundar. Inclusive eu. O bom é manter essa distância segura das coisas, dos assuntos, das pessoas e das merdas.
Eu estava falando sobre o quê mesmo?
Ah sim, sobre isso, isso que eu nem sei o que fazer. Sentimento ruim, feito uma ressaca.
Há dias em que é preciso calar, há dias em que é preciso gritar. Não sei que dia é hoje. Espero deitar a cabeça no meu travesseiro tão fora de mim que as palavras não me venham. Vou trocar de travesseiro. Ou de cabeça.
Não venham me perturbar, ouviram? Ouça bem, palavras e sentimentos que quiserem atrapalhar meu descanso essa noite: não venham me perturbar.



Escrito por Cris às 10h20
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